Crianças que respiram pela boca:
Quais as suas implicações e em que medida pode implicar uma alteração do comportamento infantil?

Incidência
2 em cada 10 crianças ressonam e sofrem de apneia do sono regular. Esta situação ocorre com maior frequência em crianças dos 2-6 anos de idade, mas
pode incidir mais cedo e prolongar-se até mais tarde.
Esta situação surge geralmente na sequência de uma constipação e congestão nasal e normalmente não lhe é dada a importância/relevância. As alergias, constipações, o aumento do tamanho das amígdalas e adenóides são os maiores responsáveis pela respiração bucal.

A respiração bucal contínua (especialmente quando ocorre durante o sono) pode provocar o ressonar e a apneia do sono (pausas da respiração durante o sono), podendo afectar a saúde e capacidade de atenção das crianças.
Dormir de boca aberta permite que a língua descaia e deslize para a garganta, diminuindo o espaço para a respiração, levando à apneia e, consequentemente, a um sono de pouca qualidade, pois será necessário despender maior esforço físico para respirar.

Esta situação pode implicar a fadiga e sonolência diurna que muitas vezes está interrelacionada com os Síndromes de Hiperatividade, Défice de Atenção e diminuição da performance psicomotora.
A respiração bucal persistente e continua na criança pode também levar a alterações das feições da cara, por alongamento da mandíbula que faz com que a cara alongue, contribuindo para um estreitamento das cavidades sinusais, favorecendo, ainda mais, a congestão nasal.

Porque é tão importante a respiração nasal?
- Diminui o acesso bacteriano (a boca não possui os mesmos filtros ou barreiras antibacterianas das fossas nasais, pelo que a respiração pela boca facilita a infiltração bacteriana);
- Reduz a incidência de cáries dentarias, a incorreta implantação dentária e o uso de aparelhos de correcção;
- Permite aquecer e humedecer o ar inspirado;
- Facilita a oxigenação arterial;- Regula a função pulmonar.

Como se pode melhorar a respiração nasal?
• Através de cirurgia (normalmente após os 3 anos de idade), quando as amígdalas e os adenóides são muito grandes e obstrutivos, e quando não existe uma resposta satisfatória à medicação;
• Tratamentos ao nariz com soro, água do mar, gotas descongestionantes, corticoides, antifúngicos e antibióticos;
• Uso de antihistaminicos, para diminuir o efeito alérgico e a congestão nasal;
• Através do recurso à OSTEOPATIA;
A osteopatia ajuda de forma muito significativa na mecânica (mobilidade) crânio-facial, que quando livre de restrições permite e ou consegue melhorar a capacidade de drenagem, eliminando as secreções, diminuindo a incidência de infecções repetidas do nariz, garganta e ouvidos.

Objetivos da consulta de osteopatia para a respiração bucal;
-Melhorar a postura (as alterações posturais podem surgir pela dificuldade da respiração, normalmente as crianças apresentam uma maior tendência da extensão da cervical para permitir uma entrada de ar maior. Uma compensação do resto do corpo nas curvaturas da coluna surge para melhor acomodar esta extensão.
-Melhorar a função da cervical e torácica;
-Equilibrar mobilidade crânio- facial e facilitar a respiração;
-Promover a facilitação da drenagem de secreções e aumentar a resposta imunitária; e
-Correcção das alterações da mandíbula.